Dois homens foram conduzidos à 1ª Delegacia Territorial de Mata de São João, na tarde desta quinta-feira (3), após comparecerem à Prefeitura para tratar de uma suposta dívida superior a R$ 2 milhões. Segundo a secretária de Governo, Sâmela Martins, os homens apresentaram uma nota fiscal, mas a administração afirma não reconhecer a contratação nem a entrega dos produtos relacionados ao documento e acionou a Polícia Civil diante da suspeita de possível tentativa de estelionato.
De acordo com a secretária, um dos homens, identificado pelo prenome Denis, afirmou que o serviço teria sido realizado por um sobrinho que estaria no Rio de Janeiro. Durante a reunião, ele teria dito que o produto havia sido entregue ao município, mas não soube informar quem teria recebido o material. A situação teria ficado tensa após os representantes da Prefeitura solicitarem a identificação dos homens e questionarem informações sobre a suposta contratação.
Notas fiscais chamam atenção
O Mais Região teve acesso às notas fiscais que estavam em poder dos homens. Foram identificados cinco documentos destinados a diferentes prefeituras baianas, que somam R$ 7.362.570,00. Entre eles está uma nota de R$ 2.186.100,00 destinada a Mata de São João, emitida pela empresa JCR RJ Comércio e Serviços Ltda., além de documentos destinados a Pojuca, Lauro de Freitas, Madre de Deus e Simões Filho.
As notas registram diferentes produtos, principalmente guarda-chuvas e capas de chuva, além de kits relacionados a projeto escolar. Segundo informações apuradas pelo Mais Região, os documentos supostamente seriam apresentados também a outras prefeituras. Até o momento, não há confirmação de que os municípios tenham reconhecido as operações, recebido os produtos ou efetuado pagamentos.
Versões apresentadas na delegacia
Dentro da unidade policial, o Mais Região questionou Denis sobre qual documento comprovaria a dívida milionária, diante da afirmação da Prefeitura de que não havia contrato, empenho ou comprovação da prestação do serviço. Ele respondeu que “as coisas vão ser apuradas”. Questionado se estava fazendo uma cobrança em nome de um sobrinho que estaria no Rio de Janeiro, mudou a versão e afirmou: “Não tem fazendo cobrança, a gente veio pegar uma informação.”
Na sequência, ao ser questionado pela reportagem sobre a existência de investigação relacionada a uma possível tentativa de estelionato, Denis ironizou: “Positivo e operante.” O segundo homem, identificado pelo prenome Rivaldo, teria informado à Polícia que estava no local apenas para servir Denis como motorista. No entanto, segundo apuração do Mais Região, ele também participou da reunião dentro da Prefeitura.
Questionamentos na saída
Após o depoimento, por volta das 18h30, Denis deixou a delegacia dirigindo o veículo, enquanto Rivaldo estava no banco do passageiro. Na saída, a reportagem voltou a questioná-lo sobre o motivo de ter participado da reunião para apresentar a nota fiscal, já que havia afirmado anteriormente que estaria no local apenas para buscar informações. Denis respondeu: “A Justiça vai dar a resposta a todo mundo.” Durante os questionamentos, ele também chamou a reportagem de “imprensa podre”.
A condução dos dois homens não significa, por si só, que houve crime ou que eles tenham sido formalmente autuados por estelionato. A Polícia Civil deverá analisar todos documentos encontrados com os suspeitos, inclusive os que somam mais de R$ 7,3 milhões, destinados a diferentes prefeituras da Bahia, que estavam em poder dos envolvidos.
Fonte: Mais Região
